Por G1 PA, Belém 12/06/2017 18h07 Atualizado há menos de 1 minuto Promotoria de Justiça Militar abre inquérito para investigar a chacina da Condor, em Belém A Promotoria de Justiça Militar informou que há indícios da participação de policiais militares na chacina ocorrida no bairro da Condor, em Belém, que resultou em cinco mortes. O promotor militar Armando Brasil abriu inquérito nesta segunda-feira (12) para investigar o caso. Moradores do bairro da Condor relatam que grupos de atiradores cercaram o quarteirão em três carros e dispararam vários tiros contra um grupo de pessoas que estavam em um bar assistindo a um jogo de futebol no dia 6 de junho. Três pessoas morreram no local do crime, dois morreram em hospitais e 14 pessoas ficaram feridas, incluindo duas crianças. “O modo de atuação é um (dos indícios), o fato de usarem coletes é outro, o fato de um dar a voz de comando é outro, o fato de não haver um combate efetivo (da PM) na hora (da chacina) é outro indício”, disse Armando Brasil. Para o promotor militar, a ausência de uma resposta da PM na noite do crime deve ser investigada. “Tem que verificar as viaturas que estavam em local próximo (ao da chacina) e saber o que faltou para um combate mais efetivo”, disse Brasil. A Corregedoria da PM informou que vai abrir um inquérito a partir do momento em que for informada oficialmente a respeito da investigação da Promotoria Militar, que vai começar pelos depoimentos dos 14 feridos que sobreviveram à chacina. A Associação de Cabos e Soldados da PM informou que não acredita na participação de PMs na chacina do bairro da Condor. “Eu creio no trabalho da Polícia Militar, no trabalho da Polícia Civil, nós temos homens que estão aí arriscando suas vidas dias e noites em prol da segurança pública, em prol da sociedade”, disse Edvan Ferreira da Silva, presidente da Associação. Armando Brasil considera fundamental que os policiais recolham vestígios dos crimes, o que não ocorreu no caso. Mesmo com a perícia realizada na área ainda na noite do crime, a equipe de reportagem da TV Liberal encontrou na manhã seguinte várias cápsulas de munição deixadas no local das mortes. “Quanto mais rápido a autoridade policial fazer o recolhimento de instrumentos utilizados no crime, melhor vai ser a resposta. Alguém pode pegar essas munições e guardar, o efeito da chuva pode tornar essa munição inacessível”, disse Armando Brasil. Munições foram encontradas no chão, no dia seguinte após a chacina. (Foto: Diego Feitosa / TV Liberal) Para a promotoria, as provas materiais têm fundamental importância em casos como o da chacina ocorrida no bairro da Condor, considerados crimes de difícil investigação pelo medo que as testemunhas sentem em prestar depoimento. A falta de controle da munição entregue aos PMs preocupa a promotoria, principalmente na investigação de casos em que há a suspeita da participação de policiais. O Diario Oficial do Estado trouxe na edição do dia 24 de maio a publicação de uma recomendação da promotoria militar, para que seja discriminada a numeração do lote da munição junto com o armamento no documento que é entregue ao policial no momento em que ele assume o serviço. A publicação informa que o Comando Geral da PM tinha o prazo de 20 dias para que respondesse a recomendação por escrito, com a possibilidade de se tornar alvo de ação na Justiça em caso de descumprimento. A PM informou que as munições distribuídas às unidades da corporações por meio do almoxarifado central já possuem identificação dos lotes. Uma nova orientação que será publicada nesta semana no boletim geral da PM oficializa que o registro das munições conste também no documento. Por determinação do Comando Geral da PM, será garantido no prazo de até 30 dias o cumprimento imediato na recomendação do Ministério Público Militar. O tema da identificação das munições já havia sido debatido durante a CPI das milícias na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) em 2015. A CPI também recomendou à Secretaria de Segurança Pública (Segup) que fossem instaladas câmeras de segurança nas viaturas da PM. “O policial fica mais protegido. É possível ter uma comprovação de que forma aquela viatura se envolveu ou não”, afirma o deputado estadual Carlos Bordalo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alepa. As recomendações ainda não foram cumpridas. “Infelizmente isso tudo ainda é projeto de estudo na polícia. Nas duas reuniões que fiz de prestação de contas do Governo para as recomendações que fizemos, fui informado que apenas a Polícia Civil já estava com um projeto piloto em andamento. A Polícia Militar nem tinha começado ainda”, conta Bordalo. A CPI das milícias falou ainda sobre a necessidade do apoio das forças armadas na ocupação de territórios dominados por organizações criminosas, para restabelecer a ordem pública no Estado. Segundo a Anistia Internacional (AI), falta vontade do poder público. “O Estado já conhece a chacina, já conhece as práticas das chacinas. O ruim é que as autoridades não assumem suas responsabilidades, não garantem investigação, não responsabilizam aqueles que foram culpados por isso e não adotam medidas de mudanças estruturais”, afirma Jurema Werneck, diretora da AI. Na última quinta-feira (8), a Segup anunciou o reforço do efetivo policial nas ruas de Belém. Foram remanejados 260 PMs para atuar nos bairros com os maiores índices de homicídios. A Secretaria informou ainda que não vê necessidade de pedido de apoio oficial da Força Nacional de Segurança.

Fonte da materia :G1
Promotoria militar investiga indícios da participação de PMs em chacina na Condor, em Belém

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